Waguinho vira réu por fraude em licitação para contratar serviços de combate à dengue
30/04/2026
(Foto: Reprodução) O prefeito de Belford Roxo (RJ), Waguinho (Republicanos)
Reprodução/GloboNews
O prefeito de Belford Roxo, Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho, virou réu em um processo contra fraudes na licitação de contratos de serviços de combate à dengue no município.
A decisão, da última quarta-feira (29), é do Segundo Grupo de Câmaras Criminais do Rio.
Segundo as investigações da Assessoria de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça (AAOCRIM/MPRJ), responsável pela denúncia em 2024, os editais não foram disponibilizados no site da prefeitura.
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São réus na Justiça:
o prefeito de Belford Roxo, Wagner Carneiro, o Waguinho;
o ex-assessor especial de serviços na Secretaria de Saúde, Edson Menezes da Silva;
o ex-secretário executivo de Controle de Zoonoses, Vinícius Augusto da Costa;
o ex-secretário de Saúde, Vander Louzada de Araújo;
o pregoeiro Cássio da Rocha Brum.
O grupo é acusado de fraudar o caráter competitivo das licitações, direcionando-as para uma empresa específica: A Rag Rodrigues Confecção e Comércio venceu a disputa oferecendo o serviço por R$ 319 mil, mesmo sem ter retirado o edital.
O processo contra Vinícius foi desmembrado porque ele não foi localizado. Já Ricardo Augusto Guimarães Rodrigues, dono da Rag Rodrigues Confecção e Comércio, celebrou um Acordo de Não Persecução Penal com o MPRJ, que foi homologado pela Justiça.
Nesse tipo de acordo, o investigado e o MPRJ acertam condições — como confessar o crime e reparar o dano — para que casos menos graves sejam resolvidos sem processo judicial.
Edital suspenso pelo TCE-RJ
MPRJ denuncia prefeito de Belford Roxo por fraude em licitação
A investigação teve início após a comunicação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), que declarou a ilegalidade dos editais depois que uma empresa entrou com uma representação se dizendo prejudicada.
A empresa Trixmaq Eireli Epp relatou que, apesar de ter comparecido, por meio de prepostos, em diversos setores, em dias e horários diferentes, na sede da prefeitura de Belford Roxo, os documentos não foram fornecidos. A empresa impetrou um mandado de segurança e obteve a suspensão de um dos pregões.
"Os elementos colhidos durante as investigações indicam o ajuste dos agentes públicos com os particulares que seriam beneficiados com a contratação, inclusive com a participação de pessoas jurídicas que sequer teriam retirado os editais e participaram do certame, formulando propostas", diz um trecho da denúncia.
A denúncia também destaca que o objeto social das três empresas que participaram do certame não corresponde aos objetos sociais listados em seus atos constitutivos, que vão desde atividades de engenharia até a locação de automóveis, passando por lavanderia, chaveiro, serviços de encadernação e plastificação, serviços de alimentação para eventos e recepções, filmagens, consultoria em TI e serviços de transporte rodoviário coletivo de passageiros.